sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Lições da Mata


Feridas mal tratadas
certamente inflamarão

Barraca mal armada
umedece
e entra água

é no entardecer
que a imanência dos mosquitos
é mais evidente

é também
quando os bichos fazem um som
na frequência do om
a criação se alastra

chuva de relâmpagos e trovões
estremece e ilumina
quando reverbera o chão dos vales

a época das chuvas
é também das borboletas

o tempo é tão instável
quanto eterno

o amor é louco
mas também razão
o inimigo é também irmão
e o sol pode gostar mais do inverno

é possível perceber
o instante em que nascem as estrelas

nós somos todos mangas deliciosas

os insetos mais coloridos
são também os mais venenosos

os pássaros conversam
em idiomas musicais

certas flores não vivem mais do que uma tarde

em solo fértil tudo
o que é semeado frutifica

Roseiras, entre outras sutilezas
precisam de cuidado
tudo precisa ser fecundado
a amizade é um valor atemporal
e a qualidade de vida
dá saltos quânticos na percepção

uma borboleta azul passou ali

quero morar no mato
mas quero uma casinha
simples e confortável

uma cama, uma rede
um fogão um pé de manga
um pé de abacate uma lareira
uma horta uma bananeira
um templo uma viola um som

mesa embaixo da árvore
amigos família filhos
poesia tranqulidade e amor

vontade de cantar
por que a vida vale a pena
tem sentido e tudo mais
melhor previnir do que remediar
melhor sonhar do que voltar atrás

-
Vamos esquentar mais água
tomar mais um mate, ela diz
ainda temos tanto pra conversar
olhar no olho ficar na varanda
e ali do lado ver a chuva passar

Vamos lembrar dos amigos
comer biscoitos
Não há nada tão simples como amar
e deixar a vida escolher pela gente
o rumo do nosso estradar

Vamos olhar para as flores
Sabendo que os planos
são só brincadeira pra se distrair

Melhor que sejam sonhos
afinal tudo é imenso
e agora não é hora de pensar em partir

Vamos ficar tranquilos
serenando a mente dar uma volta,
passear no mato
e tomar um banho de cachoeira

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