A solidão
traz desejos irrealizáveis,
como um bufão
que faz piadas de mal-gosto
na busca de se auto-afirmar
Ao sentar-se na mesa
Para um café de fim de tarde
Nunca quis tanto
Estar com uma companheira de longa data
Apaixonada, desconhecida, linda
E boa de conversa
Tudo isso para que
quando fossêmos tomar
nossas xícaras de café
houvesse apenas uma vontade de ficar em silêncio
para deixar que os acordes de um samba,
bem triste e auspicioso,
conduzissem as mensagens de amor
que navegam no oceano a separar nossos olhos
Sigo sem deixar nada Além do que fica da minha distração/ Ser humano é ser estrada na dor no amor ou na ilusão
domingo, 29 de março de 2009
Solidão em compasso I
(à Carlos "Tucano" Eduardo)
A luz amarela
escorre da lâmpada
para iluminar
a mim
e meus instrumentos poéticos
Enfim
Após instantes intensos
de angústia
Posso escrever
Chove gravemente
sobre o pôr-do-sol
Que resistiu
sereno
Para ir embora
apenas
Saí de casa
quando ainda não chovia
Até meus cachorros,
sempre tão afobados
entenderam
a seriedade dae meu olhar em agonia
Saí para o jardim
Pois nada me restava
Todos os meus livros
pareciam desinteressantes
Todas as experiências
não valeriam a pena
Nem o violão me seduzia,
Jogar minha angústia sobre ele
seria uma desfeita
E não havia nenhuma paixão
para ser cantada
Desta vez
Sentar e meditar
Seria como um tiro
Na própria cabeça
As cores de um pôr-do-sol torto
me conveceram.
Cinza a nuvem de anúncio chuvoso
Azul o que permanece
Púrpura o crepúsculo
Visto por entre casas de concreto
Púrpura a luz do poste
Começando a se aquecer
Foi a chuva que garantiu
Uma solidão proiveitosa
poética e minha.
Seu barulho
escorrendo em meio ao vento gelado
Cantava a existência da vida
apesar de tudo
Um Baden-Powell
de início de noite
Narra em um compasso
A tarde que se inicia
em silêncio,
banha-se em jazz
e faz nascer,
escondida pelas nuvens,
a lua sob anunciação da bossa nova
A luz amarela
escorre da lâmpada
para iluminar
a mim
e meus instrumentos poéticos
Enfim
Após instantes intensos
de angústia
Posso escrever
Chove gravemente
sobre o pôr-do-sol
Que resistiu
sereno
Para ir embora
apenas
Saí de casa
quando ainda não chovia
Até meus cachorros,
sempre tão afobados
entenderam
a seriedade dae meu olhar em agonia
Saí para o jardim
Pois nada me restava
Todos os meus livros
pareciam desinteressantes
Todas as experiências
não valeriam a pena
Nem o violão me seduzia,
Jogar minha angústia sobre ele
seria uma desfeita
E não havia nenhuma paixão
para ser cantada
Desta vez
Sentar e meditar
Seria como um tiro
Na própria cabeça
As cores de um pôr-do-sol torto
me conveceram.
Cinza a nuvem de anúncio chuvoso
Azul o que permanece
Púrpura o crepúsculo
Visto por entre casas de concreto
Púrpura a luz do poste
Começando a se aquecer
Foi a chuva que garantiu
Uma solidão proiveitosa
poética e minha.
Seu barulho
escorrendo em meio ao vento gelado
Cantava a existência da vida
apesar de tudo
Um Baden-Powell
de início de noite
Narra em um compasso
A tarde que se inicia
em silêncio,
banha-se em jazz
e faz nascer,
escondida pelas nuvens,
a lua sob anunciação da bossa nova
segunda-feira, 23 de março de 2009
Canto aos poetas
Chorem todos os poetas!
Sei que a gravidade
dos seus olhos
(sombreados de amor)
Talvez os levem
A um dar de ombros sereno
Ou a um flerte furtivo
com a moça que passa
Sim, senhores
apesar de tudo
o passear das moças
apesar de não tão despretensioso
como outrora, ainda está ai
Mas chorem poetas,
Quando a Lua não surgir
e solitariamente
Vier uma lágrima de desanuvio
chorem este pranto,
que vos canto.
O mundo ruiu,
Continuou assim desde a tempos
e tem teimando
em arrastar a vida toda ao abismo
Não nos resta o luto de sétimo dia
O morto já foi enterrado
E sua memória é agora longínqua
O ar nos falta
O amor também
Vós que cantais
a angústia
do desencanto que pairava
Agora não veriam fragmento
do que um dia foi lamento
Tudo muito pior
E auspiciosamente o mesmo
E assim me encontro aqui
a lhes dizer:
Chorem poetas,
Pois ao reluzir de suas lágrimas
chorarei também!
Sei que a gravidade
dos seus olhos
(sombreados de amor)
Talvez os levem
A um dar de ombros sereno
Ou a um flerte furtivo
com a moça que passa
Sim, senhores
apesar de tudo
o passear das moças
apesar de não tão despretensioso
como outrora, ainda está ai
Mas chorem poetas,
Quando a Lua não surgir
e solitariamente
Vier uma lágrima de desanuvio
chorem este pranto,
que vos canto.
O mundo ruiu,
Continuou assim desde a tempos
e tem teimando
em arrastar a vida toda ao abismo
Não nos resta o luto de sétimo dia
O morto já foi enterrado
E sua memória é agora longínqua
O ar nos falta
O amor também
Vós que cantais
a angústia
do desencanto que pairava
Agora não veriam fragmento
do que um dia foi lamento
Tudo muito pior
E auspiciosamente o mesmo
E assim me encontro aqui
a lhes dizer:
Chorem poetas,
Pois ao reluzir de suas lágrimas
chorarei também!
terça-feira, 10 de março de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
Aquilo que bem sei
Tragam-me algo para beber
Pode ser conhaque
Que seja vinho de preferência
Mas tragam-me algo para beber
E uma companhia serena
Que me ouça
E não me queira tirar
De onde estou
Alguém que apenas fique
Comigo
Solitário
Que há o sol,
Que há lua
O vento e a nuvem
A chuva e o poente
Disso eu sei bem
Que são eles que me levam
Ao sorriso de peito aberto
Eu bem sei
Por hoje não me tragam visões
Só quero algo para beber
Que seja quente e deixe leve
A cabeça
A melancolia residente
E também um amigo
Solitário mas nem tão calado
Alguém que ouça e beba
E me diga ao findar da conversa
Para que eu olhe
Calmamente
Alguma estrela
Pode ser conhaque
Que seja vinho de preferência
Mas tragam-me algo para beber
E uma companhia serena
Que me ouça
E não me queira tirar
De onde estou
Alguém que apenas fique
Comigo
Solitário
Que há o sol,
Que há lua
O vento e a nuvem
A chuva e o poente
Disso eu sei bem
Que são eles que me levam
Ao sorriso de peito aberto
Eu bem sei
Por hoje não me tragam visões
Só quero algo para beber
Que seja quente e deixe leve
A cabeça
A melancolia residente
E também um amigo
Solitário mas nem tão calado
Alguém que ouça e beba
E me diga ao findar da conversa
Para que eu olhe
Calmamente
Alguma estrela
domingo, 8 de março de 2009
Desapego Temporal
Todas as decisões
já foram feitas
Todo o mundo
vibra de acordo
com aquilo que ja é
Preocupações
deixadas de lado,
apenas a navegação
em presença
Quando a memória
é superficie descartável
já foram feitas
Todo o mundo
vibra de acordo
com aquilo que ja é
Preocupações
deixadas de lado,
apenas a navegação
em presença
Quando a memória
é superficie descartável
sexta-feira, 6 de março de 2009
Sola e susto
A sola de meus passos
são o método de conhecimento do mundo
O susto de meus tombos
Nada mais do que a lição da estrada
são o método de conhecimento do mundo
O susto de meus tombos
Nada mais do que a lição da estrada
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