sexta-feira, 17 de agosto de 2012

do amor e suas trilhas nectarosas



Frente a mim um texto a ser escrito,
Como tantos outros já tiveram
Um sagrado tenso e antigo rito
Que pelas eras foi levando o grito
Daqueles que não eram

Um mente turbulenta, uma página vazia
Um prazo, dez dedos e muitas inquietações.
Além das brumas e dos castelos de ilusões
Passeio pelas teclas como um caminhante noturno:
Sem destino a não ser fruir
A própria noite incansável de seus passos
Que o leva a seguir o devaneio silente
Fluindo aquoso de seus atos insensatos

Enquanto lá fora chove uma água fria
Tento precipitar meu coração em versos brancos
Encontrar a poesia sentir a consciência
No que ela tem de desperta
Ser na tarde uma janela aberta

Sei o quanto essa formação moderna me atrapalha
Vou tomando decisões fatais e Investigando minúcias transcendentais
Sem ter certeza alguma sobre meu rumo definitivo
Tendo apenas vislumbres da possível saída tento
Apontar as velas para o vento que está a favor
Buscando encantar o prumo mundano
Assumo os riscos do meu destemor

Leio Pessoa, me inspiro...
Algo dentro de mim clama por poesia de modo insistente
Talvez ateasse fogo derrepente, sem motivo
Se em minha existência eterna
Não pudesse buscá-la:
Essa musa incerta, fugidia e louca
Que me assola o corpo a alma e boca
Por detrás do sentido inalcançável das palavras

Através dos dias, vivo os conflitos internos de existir
Sou como pássaros cantando
Mas que desejavam apenas florir,
Caso pudessem ser como as plantas
Caso pudessem esperar a primavera

Das escrituras védicas tenho recebido sinais
Que se entrelaçam com a vida e nunca são mais fortes
Do que aqueles caminhos irrefutáveis que ela pode me apontar

Da minha mente 
- incansável fonte de turbilhões e trapaças-
Sofro um anúncio de impermanências vastas:
transformações derradeiras e maravilhosas
surgindo, brotando nascendo
do amor e suas trilhas nectarosas

Ritmos do centro


Tranquilizei-me ao pé de um cactos
Sem espinhos busco entregar-me ao poema
Se tudo isso que sonhei em forma de amor
É que aquilo que se apresenta
No incerto rumo de meu caminho,
Sem questionar aceito.

Irrompendo o silêncio
Pousou um pássaro de luz
No ombro calmo de meus pensamentos.

Para escrever tenho de me tornar,
Incorporar a experiência da idéia
Para escrever tenho que amar

Eu barbudo e cabeludo,
Sempre meio desajeitado e tropeço
Carregando caixas de papelão
pelas ruas movimentadas do centro
Mais uma vez de mudança,
Mais uma vez em movimento

Desta vez saindo do centro,
Centro este que recebeu de ruas e noites abertas
Todos os instantes e exageros
Do meu eu esparramado,
Dilatado, distorcido, embriagado
Apaixonado por viver tranquilamente
Sua certeza lúcida de ver além da ilusão

Observando seu pôr-do-sol entre prédios
Ao lado da amada enamorando-se
Pela lua cheia, parado à beira da calçada
Enfrentando como quem navega
Seus mil olhares e destinos anônimos
Suas vidas que se cruzam e se atravessam
Vindas sempre de outro lugar
Sempre de outro lugar
Para aqui, de um modo meio caótico e intenso
Se movimentar em um fluxo inevitável.

Em um frenético encontro de instantes
Quantas canções já foram cantadas
Em nome dessa angústia estranha
Que nos causa seu pulsar de concreto,
Gasolina e compromissos...

Mas de um modo estranho
Sou apaixonado por você
Ó Curitiba,
Cidade grande de meus devaneios
De meus sonhos e anseios
Cidade grande da minha rebeldia
Minha eterna quarta-feira de cinzas
Meu blues atravessado, minha poesia
Minha tarde chuvosa, minha distopia

Cidade grande,
Centro: onde fica a paz do coração?

Por todos os passos que compartilhamos
Viajamos e trilhamos juntos
Te escrevo assim como em mim
Você inscreve seus ritmos irrefutáveis

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sem saber o sentido do vento


a festa poderia não ter fim

a vibração do som transcendental

purifica minha consciência

Meu ser, com olhos e coração

Livres da dor

desgarrados da mágoa

Livres do apego


colocamos as asas

para aprender a voar

Sem saber o sentido do vento

A vida como um oásis


Aproveitar a estrada
por que a vida é como um oásis
uma trilha no deserto
e a terra prometida pode nunca chegar

E o viajante se desfaz no incerto
em busca de miragens
como uma imagem no ar

O sol que bate no asfalto
Ilude os Limites do céu

de um lado uma cidade de cupins
de um outro um latifúndio
enquanto uma rota do segundo
a estrada se fundo ao fim do mundo

A imensidão dos pastos
a lonjura nas vistas
São campos e mais campos
que parecem ser livre mas não são,
terras usufruidas pelo apetite da cidade
Ilusão

O roda moinho
indicou o caminho dos campos sem fim
Lupério Marília Lins
O Brasil e seus confins

Embora tudo isso seja preciso
as árvores nascem livres
sem que se queria
solitária em meio a latifúndio

Jogando Palavras com Deus


Nesse mundo de Deus tudo acontece

Tudo de Deus acontece nesse Mundo

Deus-Mundo acontece nesse de tudo

Tudo de Mundo acontece nesse Deus

Mundo de Deus acontece nesse Tudo

Acontece de tudo nesse Mundo-Deus

De Deus nesse mundo tudo acontece

Nesse mundo de tudo acontece Deus

Acontece mundo nesse Deus de tudo

Inútil


Gosto de ficar
sentado na calçada
Com quem
não espera por nada

Gosto de viver
nesse entre tempo
dos momentos
nesse entre momento
dos tempos

Como quem inverte
o intento utilitário do dia

Gosto de esquecer
compromissos
Subverter os ponteiros
vertendo deles o que há
de verdade

Assumir o risco
da irresponsabilidade

de escrever poesia
intuindo o desnecessário

Enquanto o mundo inteiro parece
buscar alguma coisa
eu me realizo
apenas

Do A ao Z


Do A ao Z

Antenam Araças
Bolsas Brincalhonas
Conversam Convergências
Discursivas Dissonâncias
Estudam Estrelas
Falseando Feitiços
Gestam-se Gritos
Habitam Helicópteros
Inutilizando Invenções
Jacarés Jogando
Kosmos Kantianos
Lampejos Letrados
Mamando Mamutes
Noites Nihilistas
Ocultam-se Obviamente
Pântanos Papeiam
Querelas Quotidianas
Rimando Riquezas
Sinestreiam Sabiás
Tatus Teóricos
Uivam Urgentemente
Verdades Vindouras
Whalt Whitman
Xistoso Xadrez
Yogando Ypês
Zarabatanam Zaratustras