quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

reta longa

Olhos novos
num segundo eterno
Deixe estar...

(Corações de ouro
desbravam Minas)

Tudo ficar
Por morros e curvas,
Entardecer
Em uma viagem desaparecer

Voar no sopro sonhado
no vento tão esperado
dançndo numa reta longa

poema estradeiro

1000 km depois, acho que já podem sair as palavras
lisas e frescas
como o vôo sincrônico de um casal de araras verdes

Sobre as veredas e curvas da estrada
lembro-me de um poeta japonês (estradeiro também),
costumava dizer que poesia boa,
como um salto ao além,
se escreve fora de casa
ao ar livre livrando as asas

E assim siguimos essa viagem musical
sobre quatro rodas
Brasil afora num passeio astral

sábado, 5 de fevereiro de 2011

cigarras e cores

Durante o pôr-do-sol
(mostrou-me minha morena):
é na copa dos coqueiros altos
que as cigarras gostam
de explodir a tarde

A volta

depois de tudo...
aperto o botão do elevador
Sob a tão cotidiana
luz da cruz do Guadalupe
estranhamente me sinto em casa

A descarga continua
o seu antigo vasamento
a geladeira que não teve
outro destino

uma viagem passa
e me lembra um sino
anunciando a grande festa
um monge sorridente
(isolado em alguma floresta)
a assopra sua esmerada
mandala de areia
feita em homenagem ao ar

Posso eu contar?
ou apenas
continuar
viajando, caminhando
sem cessar...

esse sonho rápido
de gosto tão intenso
que só encontramos no imenso
seio da estrada
Toma a mim completamente
até muda minha risada

eterno transtorno

o martelo martela
em si mesmo
o próprio prego que o mantém preso

Na parede do museu
uma fixação apregoada
enferrujava infalivelmente

seu emsimesmamento
impressionava até o tempo
aplausos em tom de sarcasmo
sacudiram o seu marasmo

Flamboyant

Vi uma árvore enfurecer-se
ela nem percebia
em meio a cores quentes
chovia vermelho no chão
enquanto coravam
rosadas as pétalas
desabou meu coração

Árvores a marés

As árvores se refrescam
embaladas pelo vento
com suas raízes submersas em oceano,
agradecem molhadas à Lua

Enquanto isso uma borboleta Louca
livre e Leve flutua
num caso de amor arriscado
A maré se joga numa praia estreita
e sem suspeita, se apaixona

Num susto que anda de lado
uma inadequação me inundou
a beira do mar quedou-se em ostras
fiquei sem jeito de lidar com as coisas

Sem dar com isso
árvores e marés
orgiasticamente
continuavam seus ciclos

mergulhos e submersões
sonhos e intensões
floresciam desta dança
tão lunar
em seus prazeres terrenos