quarta-feira, 1 de setembro de 2010

mundomovente

Cheiros Gostosos
Ardidos como limão caipira
Confundiam-nos com suas cores agudas

Nossas vidas profundas
em múltiplos cenários
Sugeriam-nos mergulhos imaginários
em universos interagindo
em apenas um segundo



caiu

uma


folha

por mais um momento


nosso mundo em movimento


basta


uma





escolha

Prosa Celeste

" para vó orídia (harilda) "


Um lindo pôr do sol

colore a última despedida

Rosas vermelhas
embelezam a saudade

E no coração

agora envolvido e apertado
pelo mistério da perda


fica a certeza
de um amor de verdade


A lembrança
daquele abraço único
nos confortando
com o mais carinhoso
magrinho tapa nas costas


traz tal qual
um vento viajante

uma vontade de tomar chimarrão

e sentindo cheiro de feijão na cozinha antiga
ouvir causos e histórias

naquela prosa fantástica
que só as avós sabem tecer

Ah vozinha! Sua horta agora é de nuvens
e sua companhia seu filho menino
certamente os anjos
sentem-se hoje privilegiados
por poderem prosear com você
num desses fins de tarde celestiais

Em que o infinito
é calmo
como a vista do seu sítio
e óbvio
como tirar leite da vaca

Aprumo do rumo

Num dia
Vou compor
um soneto alexandrino
deixar de ser finalmente
um simples poeta menino

E no outro
vou buscar o charme
dos bêbados de Veneza
Quando meu lirismo está de Lua
meio maluco beleza

Zigue-Zague
Vaga-Lume
Luz Errante
Passo
e Vôo
Que não olha
para trás

Me perturba
Num instante
Um sonho Louco

viagem de palavras que se faz

em desequilíbrios vagantes
versos perturbam o rumo
de uma orquestra que busca seu prumo
no ritmo solto do mar

Pororóca Sonora

Mil borboletas
de asas grandes
e cores impossíveis
pousavam nos galhos secos

Suas vibrações
cíclicas como tudo o que existe
eram o movimento das folhas:
equilibristas do outono

captando o beleza do ar
se apaixonando
pelo vento do mar

Sinto
que viver
é estar de acordo

Nas ondas de tudo
Sinto um gosto nada

No fim da madrugada
Pode-se ainda testemunhar
o encontro da delicada
orquestra noturna

como o alegre
canto dos pássaros

Simplesmente
uma pororoca sonora
melodando o amanhecer

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

tempo zen

o som do sino

é o zen budismo

o som do tempo

zen momento

lembrança de estrada

Um dia,
em meio a uma vertigem estradeira
depois de muito canto e muita poeira

numa hora triste de sola e salto
a nostalgia do asfalto
me veio como a ressaca de outono

quando tropecei de sobressalto
uma idéia viajante
sem por que ou como

quem se assusta delirante
com a chuva inesperada
em canções na madrugada
ouvi no que diziam

algo de amor
com temperos de encanto
intervalos de viagem
suspiros na paisagem
relampagos floriam

numa tempestade azul
que encharcava
histórias de amor
o dia se anunciava inteiro

rumo ao rio preguiça
borboletas amarelas
orquestravam a tarde

e as cores
das flores do cerrado
agradecem inquietas

suas asas
nos dizem
discretas

que a melhor coisa do mundo
é fazer nada
depois descansar

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Arte e vida...

"Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida"

Antonin Artaud