terça-feira, 13 de novembro de 2012

Lá! (Ainda)

                                                passo
                          desfaço
tudo
               aquilo
                             que sabia
                                     
                                               percalço
                         esqueço
tudo
                aquilo
                           
                                   que me prendia

renasço

             transformo

                             transmuto

todo

            viver                
                             
                                     em poesia


Trilho,
       
            servindo
                           
                                     a estrada da liberação

Busco voltar

                     ao lar

           Lá!                          

                              além de toda ilusão

onde cada passo
         
                                   é uma dança

e cada palavra
                           
                                   uma canção


Susto de um tropeço

A chuva no tempo o espaço
desejo o sonho e a poesia
o improvável incerto
pecaminoso deserto
dessas sedutoras miragens
que fazem o querer de tudo

papel em branco
o compromisso
esquecimento omisso
de alguma obrigação vindoura

os amigos as mudanças
a esperança sedutora
de curtir um barato total
sem fim nem começo

inspiração genial
no susto de tropeço

Caminho da Canção

Na tarde dos dias
os pensamentos-vôos
da consciência viajante

Quisera eu
ser os sons da manhã
apenas ressoando, cantando

Nossas tentativas mais ousadas
de compreender os outros
são nossas maneira mais refinadas
de afirmar a nós mesmos?

Só sei que nada sei
infinito porém esse da sabedoria
etérea, divagante, incerta
tenho preferido o canto
tenho praticado a poesia

Deus é Deus
por que está além de tudo
e ilimitadamente infinito
No espectro largo
de um segundo apenas

Quero espaços de tempo
para debruçar-me sobre o violão
Quero divagar em acordes buscar melodias
e no improviso de alguma inspiração
encontrar o caminho de uma nova canção

Imponderável

o amor supera todos os paradigmas

(im)permanente

Fim de inverno
Trouxe nuvens de chuva
o vento passa


Fruto semeado

Ama teus amores
Lembrando-te sempre
dos passos silentes do fim

o dia tem aromas efêmeros!

Mira a eternidade
para que num susto
desperte para realidade,

como a Lua em seu rumo

A vida passa
e por entre os dias,
assim na poesia caminha

Sempre diferente
do que imaginamos
O fruto
daquilo que semeamos

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A Pétala e o Vento


Deparei-me com uma pétala,
Rosada envelhecida,
Pétala de bouganville
Dependurada nos fio de uma teia
Ela equilibrava toda
aquela tarde de sol e vento
Em seu improvável descanso aéreo

A aranha, ainda desinformada
Mal sabia do óbvio
Espanto de imensidão
Que se encontrava equilibrando
Os segundos de uma tarde
Em sua armadilha sutil

Suspeitei no início
Das intenções evidentes daquela pétala
A mente racional entrou bosteando
Dizendo que pétala não tem consciência
Nem intenção para dependurar-se
Assim tão poeticamente
No equilíbrio da tarde
Em uma teia de aranha

Demorou-me a surgir o poema
Tão explícito daquela situação
Ao ler uma entrevista,
De um poeta songo e genial
Que é dado a brincar com as palavras,
É que desabrochou o poesia
Contida na impressão primeira
Daquela visão tão antióbvia

A vontade da pétala
Era seduzir o vento
Desafiar a gravidade
Para além de todo pertencimento

Ficou evidente
Que ela estava enamorada
E assim desvairada,
Perdida em impossibilidades
Louca de amor
Lançou-se lascívia
Sobre uma armadilha de éter,

Virou vitral moldura
De um amor impossível
Aquela teia de aranha
O vento lambia
O corpo colorido
Daquela pétala em equilíbrio

Um amor improvável
Comprovou-se sutilmente
Nos atos do tempo