Na tarde dos dias
os pensamentos-vôos
da consciência viajante
Quisera eu
ser os sons da manhã
apenas ressoando, cantando
Nossas tentativas mais ousadas
de compreender os outros
são nossas maneira mais refinadas
de afirmar a nós mesmos?
Só sei que nada sei
infinito porém esse da sabedoria
etérea, divagante, incerta
tenho preferido o canto
tenho praticado a poesia
Deus é Deus
por que está além de tudo
e ilimitadamente infinito
No espectro largo
de um segundo apenas
Quero espaços de tempo
para debruçar-me sobre o violão
Quero divagar em acordes buscar melodias
e no improviso de alguma inspiração
encontrar o caminho de uma nova canção
Sigo sem deixar nada Além do que fica da minha distração/ Ser humano é ser estrada na dor no amor ou na ilusão
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Fruto semeado
Ama teus amores
Lembrando-te sempre
dos passos silentes do fim
o dia tem aromas efêmeros!
Mira a eternidade
para que num susto
desperte para realidade,
como a Lua em seu rumo
A vida passa
e por entre os dias,
assim na poesia caminha
Sempre diferente
do que imaginamos
O fruto
daquilo que semeamos
Lembrando-te sempre
dos passos silentes do fim
o dia tem aromas efêmeros!
Mira a eternidade
para que num susto
desperte para realidade,
como a Lua em seu rumo
A vida passa
e por entre os dias,
assim na poesia caminha
Sempre diferente
do que imaginamos
O fruto
daquilo que semeamos
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
A Pétala e o Vento
Deparei-me com uma pétala,
Rosada envelhecida,
Pétala de bouganville
Dependurada nos fio de uma teia
Ela equilibrava toda
aquela tarde de sol e vento
aquela tarde de sol e vento
Em seu improvável descanso aéreo
A aranha, ainda desinformada
Mal sabia do óbvio
Espanto de imensidão
Que se encontrava equilibrando
Os segundos de uma tarde
Em sua armadilha sutil
Suspeitei no início
Das intenções evidentes daquela pétala
A mente racional entrou bosteando
Dizendo que pétala não tem consciência
Nem intenção para dependurar-se
Assim tão poeticamente
Assim tão poeticamente
No equilíbrio da tarde
Em uma teia de aranha
Demorou-me a surgir o poema
Tão explícito daquela situação
Ao ler uma entrevista,
De um poeta songo e genial
Que é dado a brincar com as palavras,
É que desabrochou o poesia
Contida na impressão primeira
Daquela visão tão antióbvia
A vontade da pétala
Era seduzir o vento
Desafiar a gravidade
Para além de todo pertencimento
Ficou evidente
Que ela estava enamorada
E assim desvairada,
Perdida em impossibilidades
Louca de amor
Lançou-se lascívia
Sobre uma armadilha de éter,
Virou vitral moldura
De um amor impossível
Aquela teia de aranha
O vento lambia
O corpo colorido
Daquela pétala em equilíbrio
Um amor improvável
Comprovou-se sutilmente
Nos atos do tempo
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Prefiro o Mistério
Que as coisas
independem
da vontade dos humanos
(escapando sempre
de seus planos e
controles)
para mim é evidente
Mas será que as coisas
independem mesmo
da vonta de Deus?
Então é somente o
acaso formando leis sem vida
que faz com que dias e
noites
sucedam-se ciclamente
na imensa dança das
estações?
Então são apenas
tendências e probabilidades
que
interrelacionamdo-se de um modo indefinível
regem o bailado dos
astros
a sinfonia de
nascimentos e mortes
e a queda das folhas do
outono?
Não seria a energia de
Deus fluindo
Isso que chamamos de
lei natural dos encontros?
Não sei, nesse planeta
ínfimo
grão de areia
flutuando no universo
Prefiro o mistério
Lições da Mata
Feridas mal tratadas
certamente inflamarão
Barraca mal armada
umedece
e entra água
é no entardecer
que a imanência dos
mosquitos
é mais evidente
é também
quando os bichos fazem
um som
na frequência do om
a criação se alastra
chuva de relâmpagos e
trovões
estremece e ilumina
quando reverbera o chão
dos vales
a época das chuvas
é também das
borboletas
o tempo é tão
instável
quanto eterno
o amor é louco
mas também razão
o inimigo é também
irmão
e o sol pode gostar
mais do inverno
é possível perceber
o instante em que
nascem as estrelas
nós somos todos mangas
deliciosas
os insetos mais
coloridos
são também os mais
venenosos
os pássaros conversam
em idiomas musicais
certas flores não
vivem mais do que uma tarde
em solo fértil tudo
o que é semeado
frutifica
Roseiras, entre outras
sutilezas
precisam de cuidado
tudo precisa ser
fecundado
a amizade é um valor
atemporal
e a qualidade de vida
dá saltos quânticos
na percepção
uma borboleta azul
passou ali
quero morar no mato
mas quero uma casinha
simples e confortável
uma cama, uma rede
um fogão um pé de
manga
um pé de abacate uma
lareira
uma horta uma bananeira
um templo uma viola um
som
mesa embaixo da árvore
amigos família filhos
poesia tranqulidade e
amor
vontade de cantar
por que a vida vale a
pena
tem sentido e tudo mais
melhor previnir do que
remediar
melhor sonhar do que
voltar atrás
-
Vamos esquentar mais
água
tomar mais um mate, ela
diz
ainda temos tanto pra
conversar
olhar no olho ficar na
varanda
e ali do lado ver a
chuva passar
Vamos lembrar dos
amigos
comer biscoitos
Não há nada tão simples
como amar
e deixar a vida
escolher pela gente
o rumo do nosso
estradar
Vamos olhar para as flores
Sabendo que os planos
são só brincadeira
pra se distrair
Melhor que sejam sonhos
afinal tudo é imenso
e agora não é hora de
pensar em partir
Vamos ficar tranquilos
serenando a mente dar uma volta,
passear no mato
passear no mato
e tomar um banho de
cachoeira
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