quinta-feira, 5 de março de 2009

Sol e dança

Vi mil sóis nascendo
Em céu de lágrima,
Doce onda de mel
Veio atentar-me a boca

Dança em meus olhos
Para ficarmos juntos
Em um momento de entrega,
Dança comigo
Dama livre em sonho

Fagulhas de fogo róseo
Queimaram de mim as artérias
Infarto sorridente
De um peito a mergulhar no sol

terça-feira, 3 de março de 2009

Apenas o que interessa

Entrego-me a tudo
E de uma vez por todas
Deixo todo o ceticismo de lado
Pergunto aos céus e aos astros
Rendo-me aos arquitetos galácticos
Pois só o que me interessa é amar

Me pego em devaneios tolos
Sobre a nossa conexão astral
Sinto saudade de abraço dado ontem
Entrego todos os meus sonhos poéticos a você
Pois só o que me interessa é amar

Apaixono-me sem saber história alguma
Me espanto pelo amor à primeira vista
Não tenho receio
E entrego-me na trama de sincronicidade
Pois só o que me interessa é amar

Quero subverter seus planos
E o que os meus
Sejam implodidos pelo seu abraço
Quero dar com você
Diversos passos na estrada da vida
Quero ver o amor explodir
Um prisma de cores no horizonte
Para nos guiar na caminhada sem medo

Tudo isso eu quero
Tudo isso eu sinto
Pois só o que me interessa é amar

O feitiço que virou contra o feiticeiro

Eu que sou efêmero

Que acredita que tudo passa

Que vive cantando o fragmento

Que tudo,

Tudo é apenas momento

Agora gostaria que fosse eterno

Que vivesse além do mundo

Que a vida inteira durasse

Que nada,

Nada desfragmentasse

Eu que falo em mudanças por segundo

De passos estradeiros de andança

De efemeridade e momenteio

Da vida que se vive em dança

Agora gostaria de morrer com você

Na cidade que escolhêssemos

Para nosso amor atemporalmente viver

Onde ficaria nossa paixão cravada

Todas as vezes

Que nos movêssemos juntos para a estrada

Tudo ruiu

Inclusive a ruína

De achar que tudo se desfaz

Agora desejo que o castelo de areia

Dure para sempre

Na praia de onde

Se pudesse eternamente

Contemplar seu oceano

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Luz Ébria

Momento de mergulho
em uma solidão lúcida

arrancou das conclusões
a esperança gratuita
das letras

A lúcidez,
que na clareza
não deixa de ser ébria
encanta
acalenta
espanta
tudo o que não vibra
toda a estagnação
de não estar entregue

Carona Noturna

Céu escorrendo o brilho das estrelas
manto negro de mistério
envolvendo a entrega da espera

Pegando carona de incógnitas
em estradas desconhecidas
sigo o caminho da trilha do acaso

Entregue na possibilidade,
os passos e o espírito
São envolvidos pela realidade
dos inúmeros acontecimentos

Entrelaçando-se na trama das sincronicidades
Arremesso uma caneca de consciência
No olhar do Infinito

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Gosto da Pêra

Primeiro é apenas expectativa,
a saliva é ativada pelo
mero vislumbre sensorial
Depois vem o vácuo
inexplicável relação com o real

Até o momento do toque
que é eclipsado
pelo tremor doce da mordida
(a perfuração de uma
nuvem de areia)
Seguido por explosões
sucessivas do melhor
dos jogos artificialmente exóticos

Um vale que se derrete
a cor verde lisico
que toca, transborda

gosto enfim
relações neuro sensitivas
pula o verde momento
dente com pera
pera no dente
lingua na pera
mente,
tudo se afina
gestando um gosto
todo movimento é um rio

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Recado

Já não me preocupo mais,
Estou sacando
O lance da vida

Nascendo sempre
dia-a-dia
Estou poetizando
A entrega, querida

Não me venha
Com palavras
As histórias existem
O mundo é assim...
Encantado sem tempo
Sem fim

Diga
aos calendários perdidos
que não mais voltarei

Cante
para as horas que se esticam
que a vida encontrei